Bancos parceiros do Move Brasil: a lista completa e as taxas do financiamento de caminhão em 2026

Verificado em 2 de julho de 2026. As taxas e a relação de agentes financeiros credenciados são revisadas periodicamente pelo BNDES e pelos bancos — confirme o valor vigente nas fontes oficiais antes de fechar negócio.

Quem procura os bancos parceiros do Move Brasil precisa entender um ponto de partida que muda tudo: o BNDES não empresta dinheiro diretamente ao transportador. O financiamento de caminhões com recursos do banco de fomento acontece sempre por meio de um agente financeiro credenciado — um banco público, privado, cooperativa de crédito ou o banco da própria montadora. O programa que o mercado apelidou de "Move Brasil" se apoia na política federal de mobilidade (o Programa Mover, criado pela Lei nº 14.902/2024) e opera, na prática, pela linha BNDES Finame. Neste guia estão a lista dos principais agentes, como a taxa é formada, quem pode financiar e o passo a passo real da simulação.

O que é o Move Brasil 2 e o que mudou em 2026

"Move Brasil" virou o nome popular pelo qual transportadores e concessionárias se referem ao financiamento de caminhões com apoio do BNDES dentro da atual política de mobilidade do governo federal. Essa política é o Programa Mover — Mobilidade Verde e Inovação, instituído pela Lei nº 14.902/2024, que sucedeu o antigo Rota 2030 e orienta incentivos à renovação e à descarbonização da frota. O instrumento operacional que financia o veículo continua sendo o BNDES Finame, a linha histórica do banco para aquisição de máquinas, equipamentos e bens de produção — categoria em que entram caminhões, ônibus e implementos rodoviários fabricados no país e credenciados no BNDES.

O que muda em 2026 não é a mecânica — que segue a lógica de operação indireta (você contrata com o banco, não com o BNDES) — e sim o contexto: juros de mercado ainda elevados, foco crescente em veículos de menor emissão e uma disputa dos agentes financeiros por spread. É por isso que comparar bancos parceiros faz diferença real no valor da parcela.

Por que o Move Brasil substituiu o FINAME/PSI (extinto em 2015)

Há uma confusão comum que ainda aparece em listas desatualizadas de concorrentes: tratar o Finame como algo "extinto". Não é. O que acabou foi o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), o programa que, entre 2009 e 2015, oferecia taxas fortemente subsidiadas usando o Finame como veículo. Com o ajuste fiscal, o PSI foi encerrado em 2015 e o financiamento passou a ser feito a custo de mercado.

Em seguida, a referência de custo também mudou: a antiga TJLP deu lugar à TLP (Taxa de Longo Prazo), criada pela Lei nº 13.483/2017 e em vigor desde janeiro de 2018. A TLP acompanha mais de perto os juros de mercado, o que aproximou o custo do BNDES do restante do sistema — mas as linhas de fomento seguem competitivas em prazo e, muitas vezes, em taxa. O "Move Brasil", portanto, é a camada de política pública mais recente sobre uma engrenagem que nunca deixou de existir: o Finame.

Lista completa dos bancos parceiros do Move Brasil 2026

Os "bancos parceiros" são os agentes financeiros credenciados pelo BNDES a repassar seus recursos. A relação é ampla e inclui bancos públicos, privados, cooperativas de crédito e os bancos das montadoras. Abaixo estão os principais grupos — a lista oficial e sempre atualizada fica na página de instituições financeiras credenciadas do BNDES.

Bancos públicos credenciados (BB, Caixa, bancos regionais)

  • Banco do Brasil — capilaridade nacional, atende autônomo (TAC), MEI e pessoa jurídica.
  • Caixa Econômica Federal — foco em pessoa jurídica e micro, pequenas e médias empresas.
  • Banco do Nordeste (BNB) — opera o FNE e credencia Finame na área da Sudene (Nordeste, norte de MG e do ES).
  • Banco da Amazônia (BASA) — referência na Região Norte.
  • BRDE — banco de desenvolvimento do Sul (PR, SC e RS).
  • Banrisul, Banese e outros bancos estaduais — atuação regional, úteis para quem já tem relacionamento local.

Bancos privados e cooperativas de crédito credenciados

  • Bradesco, Itaú Unibanco e Santander — grandes bancos privados que operam Finame para frotistas e PJ.
  • Bancos das montadoras (Banco Mercedes-Benz, Banco Volkswagen, Scania Banco, Banco Volvo, entre outros) — vinculados às concessionárias e frequentemente a rota mais direta para financiar um 0km da marca.
  • Cooperativas de crédito como Sicredi e Sicoob — fortes no agronegócio e no interior, com atendimento próximo ao associado.

Esta relação é ilustrativa dos grupos de agentes; a condição de "credenciado" pode mudar. Sempre confirme na fonte oficial antes de escolher.

Como confirmar se um agente financeiro está ativo no BNDES

O caminho mais seguro é consultar diretamente o BNDES: a instituição mantém a lista pública de agentes credenciados e a ferramenta "Onde encontrar o BNDES". Em uma simulação real, o transportador que ignora essa checagem corre dois riscos clássicos — procurar uma agência que não opera aquela linha específica e perder tempo, ou aceitar um spread mais alto por não comparar. Antes de reunir documentos, verifique na página oficial da linha BNDES Finame se o banco escolhido está ativo para o tipo de veículo desejado.

Taxas de juros do Move Brasil 2 em 2026

Aqui está o ponto que mais gera dúvida — e onde mais se publica número inventado por aí. A taxa final não é um valor único do "Move Brasil": ela é montada em camadas, e a última camada é negociada com o banco. Entender a composição evita cair em promessa de "taxa mágica".

Custo financeiro: TLP + spread do BNDES + spread do banco

ComponenteO que éQuem define
Custo financeiro (TLP ou taxa prefixada)A referência de custo do dinheiro no longo prazo; a TLP tem um componente de IPCA mais um juro real ligado aos títulos do Tesouro (NTN-B)Divulgado mensalmente pelo BNDES; contexto macro ligado à Selic e à inflação, acompanhadas pelo Banco Central do Brasil
Remuneração do BNDES (spread básico)A margem do banco de fomento sobre o custo financeiroBNDES, por linha/programa
Remuneração do agente financeiroO spread do banco que faz a operação e assume o risco de créditoNegociável com o banco — é onde comparar vale a pena

Como a TLP muda todo mês e o spread do agente varia conforme o seu perfil de risco e o relacionamento, não existe uma "taxa do Move Brasil" fixa. O valor vigente do custo financeiro deve ser conferido na data da simulação — por isso este guia não crava um percentual: quem promete um número redondo "garantido" está simplificando demais.

Comparativo de taxas entre os principais bancos parceiros

Como a última camada é negociada, o comparativo honesto não é de percentuais prontos, mas de perfil de cada agente — quem ele atende melhor e por qual canal você chega até ele:

Agente financeiroTipoPerfil que costuma atenderComo acessar
Banco do BrasilPúblicoAutônomo (TAC), MEI e PJAgência / gerente PJ
CaixaPúblicoPJ e MPMEAgência
Banco do Nordeste / BASA / BRDEPúblico regionalEmpresas na área de atuaçãoAgência de desenvolvimento
Bradesco / Itaú / SantanderPrivadoPJ e frotistasGerente de relacionamento
Bancos das montadorasCaptive / montadoraComprador de 0km da marcaConcessionária
Sicredi / SicoobCooperativaAssociados, forte no agroAgência cooperativa

A dica prática de quem já financiou: peça a simulação em pelo menos dois agentes de tipos diferentes (um banco de rede e a cooperativa ou o banco da montadora). A diferença de spread entre eles, ao longo de anos de contrato, pesa mais do que qualquer taxa de abertura.

Requisitos de elegibilidade: quem pode financiar

O financiamento com apoio do BNDES atende desde o transportador autônomo de cargas (TAC) e o MEI até grandes frotistas. A elegibilidade depende menos do "programa" e mais da sua capacidade de pagamento comprovada e da regularidade cadastral — a análise de crédito é feita pelo agente financeiro, que assume o risco.

Documentos exigidos e porte da empresa/autônomo

  • Autônomo (TAC) / MEI: documento pessoal, CNH, comprovante de atividade (RNTRC/ANTT), comprovação de renda e regularidade fiscal.
  • Pessoa jurídica: contrato social, balanços/faturamento, certidões negativas e regularidade no CNPJ.
  • Do veículo: proforma/nota da concessionária e confirmação de que o modelo é um bem credenciado no BNDES.

A armadilha mais comum na simulação real é a documentação incompleta, que trava a análise. Some a isso o prazo de aprovação do banco e a eventual exigência de garantia (o próprio caminhão costuma ser alienado, mas o agente pode pedir reforço). Organizar tudo antes encurta semanas de espera.

Percentual financiável, carência e prazo máximo

Estes parâmetros são definidos por linha e revisados pelo BNDES, então trate os princípios abaixo como estrutura — e confirme os números vigentes na fonte oficial:

  • Percentual financiável: costuma ser maior para micro e pequenas empresas do que para grandes — mas o teto exato depende da linha.
  • Prazo: financiamento de bens de capital admite prazos longos, de vários anos, adequados ao fluxo de caixa do transporte.
  • Carência: há período de carência antes da primeira parcela cheia, também definido pela linha.
  • Novo x seminovo: este é o detalhe decisivo. O Finame financia, em regra, bem novo (0km) credenciado. Para um caminhão seminovo, o caminho costuma ser CDC, leasing ou consórcio no próprio banco — não a linha do BNDES. Vale consultar como consultar a Tabela FIPE de caminhões para avaliar o valor do seminovo antes de negociar.

Como simular o financiamento do seu caminhão passo a passo

  1. Escolha o veículo e confirme o credenciamento na concessionária (0km) para saber se é elegível ao Finame.
  2. Selecione o agente financeiro entre os credenciados e verifique se ele opera a linha para o seu porte.
  3. Reúna a documentação pessoal/da empresa e do veículo antes de iniciar — evita retrabalho.
  4. Peça a simulação informando valor, entrada e prazo desejado; o agente aplica o custo financeiro vigente mais os spreads.
  5. Compare pelo menos duas propostas e olhe o CET (Custo Efetivo Total), não só a taxa nominal.
  6. Formalize após a análise de crédito e a definição das garantias.

Exemplo prático de simulação com valor, entrada e parcela

Veja a lógica com um exemplo hipotético (números apenas ilustrativos da mecânica, não uma cotação): suponha um caminhão avaliado em R$ 300.000 e uma entrada de 20% (R$ 60.000). O valor financiado seria de R$ 240.000. A partir daí, a parcela mensal depende exclusivamente de duas variáveis que só o banco fecha na data: o custo financeiro vigente (TLP + spread do BNDES) e o spread do agente, aplicados ao prazo escolhido. Por isso o passo que importa não é decorar uma parcela — é rodar a simulação no agente e comparar o CET. Ao dimensionar a parcela, calcule também o custo operacional do caminhão: o preço atual do diesel S10 e a tabela de frete mínimo da ANTT definem quanto sobra por viagem para honrar o financiamento.

Move Brasil 2 vs. financiamento bancário tradicional (CDC)

Nem todo mundo se encaixa no Finame — e, para seminovos, o CDC costuma ser a via. Entenda as diferenças estruturais:

AspectoMove Brasil / BNDES FinameCDC tradicional
Origem dos recursosBNDES (custo referenciado na TLP)Funding do próprio banco
CustoTende a ser competitivo em prazo e taxaTaxa de mercado, em geral mais alta
Bem elegível0km credenciado no BNDESNovo ou seminovo
BurocraciaMaior (análise + credenciamento do bem)Menor e mais rápida
PrazoLongoMédio a longo

Resumindo: caminhão 0km da marca, com tempo para a análise? O Finame via um banco parceiro tende a compensar. Seminovo ou pressa? O CDC resolve. Para se aprofundar, veja o guia completo de como financiar um caminhão em 2026 e o explicativo da linha Move Brasil 2 no BNDES.

Definido o caminho, o passo seguinte é escolher o veículo: simule o financiamento no agente selecionado e compare com os caminhões novos e seminovos disponíveis na Só Caminhões Virtual para chegar à concessionária ou ao banco já com o modelo e o valor de referência em mãos.

Perguntas frequentes sobre os bancos parceiros do Move Brasil

Quais são os bancos parceiros do Move Brasil?

São os agentes financeiros credenciados pelo BNDES: bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa, Banco do Nordeste, BASA, BRDE, Banrisul), privados (Bradesco, Itaú, Santander), cooperativas (Sicredi, Sicoob) e os bancos das montadoras (Mercedes-Benz, Volkswagen, Scania, Volvo). A lista oficial e atualizada fica no site do BNDES.

O Move Brasil é o mesmo que o antigo FINAME/PSI?

Não exatamente. O Finame é a linha operacional do BNDES e continua ativa. O que acabou em 2015 foi o PSI, o programa de juros subsidiados que usava o Finame. O "Move Brasil" é a camada de política de mobilidade atual, ligada ao Programa Mover (Lei nº 14.902/2024).

Qual é a taxa de juros do Move Brasil em 2026?

Não há taxa única. Ela é composta pelo custo financeiro (TLP, divulgada mensalmente), pelo spread do BNDES e pelo spread do agente financeiro, que é negociável. Confirme o valor vigente na data da simulação diretamente com o banco e no BNDES.

Posso financiar um caminhão seminovo pelo Move Brasil?

Em regra, não. O Finame financia bem novo (0km) credenciado no BNDES. Para um seminovo, o caminho costuma ser CDC, leasing ou consórcio no banco de sua preferência.

Autônomo e MEI podem financiar?

Sim. O transportador autônomo (TAC) e o MEI podem financiar, desde que comprovem atividade, renda e regularidade cadastral. A análise de crédito é feita pelo agente financeiro.

Como sei se um banco está credenciado ao BNDES?

Consulte a lista pública de instituições financeiras credenciadas no site do BNDES e confirme com a agência se ela opera a linha Finame para o seu porte e tipo de veículo antes de reunir a documentação.

Qual documentação preciso reunir antes de simular?

Documento pessoal e CNH, comprovação de atividade (RNTRC/ANTT) e de renda, regularidade fiscal e, no caso de PJ, contrato social e balanços. Do veículo, a proforma da concessionária e a confirmação de que o modelo é credenciado.

Foto: Brian Stalter via Unsplash

Fonte: BNDES (bndes.gov.br) e Banco Central do Brasil (bcb.gov.br)