Índice Quais bancos são parceiros do Move Brasil? Comparativo banco a banco 2026

Os bancos parceiros do Move Brasil em 2026 são Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, os bancos de montadora (Volvo Financial Services, Banco Mercedes-Benz, Scania Banco, VWFS e DLL) e cooperativas de crédito como Sicoob e Sicredi. Todos repassam recursos do BNDES com taxa efetiva média de 11,3% ao ano (consulta ao BNDES e aos agentes financeiros em 16/07/2026) — mas o custo final varia de banco para banco, porque cada instituição adiciona o próprio spread. Este comparativo mostra, banco a banco, a taxa final estimada, o prazo máximo, a entrada mínima e as exigências de aprovação, para responder a pergunta que a lista de credenciados sozinha não responde: qual banco escolher.

A demanda por esse crédito segue aquecida: segundo a FENABRAVE, foram emplacados 15.420 caminhões em abril de 2026, alta de 18% sobre abril de 2025, com projeção de crescimento de 12% a 15% nos emplacamentos do ano — e a maior parte dessas aquisições depende de financiamento.

O que é o Move Brasil 2 e como funciona o repasse pelos bancos

O Move Brasil 2 é o programa vigente do governo federal, operado pelo BNDES, para financiamento de caminhões, ônibus, implementos rodoviários e máquinas com taxas equalizadas. Um esclarecimento importante para quem ainda pesquisa por \"FINAME PSI\": o PSI foi extinto em 2015. O que existe hoje é o Move Brasil 2, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional, que herdou a estrutura operacional do Finame — inclusive o modelo de repasse — mas com regras, taxas e dotação próprias. Confundir os dois programas leva a expectativas de taxa que não existem mais no mercado.

O BNDES não empresta diretamente ao transportador. O programa funciona por repasse: o banco de fomento libera recursos com custo equalizado às instituições financeiras credenciadas, e são elas que analisam o crédito, assumem o risco da operação e definem parte do preço final. Por isso a escolha do agente financeiro importa tanto quanto o enquadramento no programa.

Taxa base do BNDES e o spread que cada banco adiciona

A taxa final que o transportador paga se decompõe em três camadas:

Taxa final = custo financeiro (TLP) + spread do BNDES + spread do agente financeiro

  • Custo financeiro (TLP): a Taxa de Longo Prazo, que embute IPCA mais um juro real fixo, funciona como base da operação;
  • Spread do BNDES: 0,50% ao ano para micro e pequenas empresas e autônomos, chegando a 1,30% para grandes empresas;
  • Spread do agente: a remuneração do banco repassador, tipicamente entre 1,5% e 4% ao ano — é aqui que os bancos se diferenciam.

Somadas as camadas, a taxa efetiva média do financiamento BNDES para caminhões estava em 11,3% ao ano na consulta de 16/07/2026 — bem abaixo do CDC convencional, que opera na faixa de 18% a 22% ao ano com a Selic mantida em 14,75% ao ano pelo Copom, conforme o Banco Central. A equalização do Tesouro é o que segura a taxa do programa abaixo do custo básico da economia.

Tabela comparativa: bancos parceiros do Move Brasil em 2026

A tabela abaixo consolida as condições de referência praticadas pelos principais agentes credenciados em julho de 2026. As taxas finais são estimativas construídas sobre a taxa efetiva média do programa (11,3% a.a.) e os spreads de referência de cada tipo de instituição — a taxa contratada depende da análise de crédito individual, do relacionamento com o banco e do porte do tomador.

BancoTaxa final estimada (% a.a.)Prazo máximoEntrada mínima típicaPonto forte
Bancos de montadora (Volvo, Mercedes-Benz, Scania, VWFS, DLL)10,5% a 11,5%120 meses (novo)10%Menor spread para veículo da própria marca
Banco do Brasil11,0% a 12,0%120 meses (novo) / 72 (seminovo)10%Spread competitivo para MPE e autônomo; maior capilaridade
Itaú Unibanco11,5% a 12,8%120 meses (novo)15% a 20%Estrutura para frotistas com faturamento comprovado
Caixa Econômica Federal11,5% a 12,5%120 meses (novo)20%Condições estáveis para PJ de pequeno porte
Bradesco12,0% a 13,0%120 meses (novo)15% a 20%Agilidade na esteira digital de crédito PJ
Santander12,0% a 13,5%120 meses (novo)20%Aprovação rápida via Santander Negócios

Fontes: BNDES (taxa equalizada e rede credenciada, consulta em 16/07/2026), Banco Central (Selic) e condições de referência divulgadas pelos agentes financeiros. Valores indicativos; a taxa final é definida na análise de crédito de cada operação.

Cooperativas de crédito como Sicoob e Sicredi também operam o repasse e, em praças do interior, chegam a praticar spreads comparáveis aos do Banco do Brasil — vale a cotação para quem já é cooperado.

Banco a banco: taxas, prazos e entrada mínima

Banco do Brasil

O BB é historicamente o maior repassador de recursos do BNDES para o transporte de cargas e mantém spread entre os mais baixos dos bancos comerciais para micro e pequenas empresas e autônomos com RNTRC. A taxa final estimada fica entre 11,0% e 12,0% ao ano, com entrada a partir de 10% e prazo de até 120 meses para caminhão novo. A capilaridade — presença em praticamente todos os municípios — pesa a favor de quem opera longe dos grandes centros. Contrapartida comum: o banco tende a condicionar as melhores taxas à abertura de conta e à centralização de recebíveis.

Caixa Econômica Federal

A Caixa opera o Move Brasil com foco em pessoa jurídica de pequeno porte. A taxa final estimada vai de 11,5% a 12,5% ao ano, mas a exigência de entrada é mais alta — tipicamente 20% do valor do bem — e a análise de crédito é reconhecidamente conservadora, com prazo de resposta mais longo que o dos bancos privados. Para o transportador que já tem relacionamento com a Caixa (FGTS empresarial, folha, conta PJ), o processo tende a fluir melhor.

Bradesco

O Bradesco pratica taxa final estimada entre 12,0% e 13,0% ao ano, com entrada de 15% a 20%. O diferencial está na esteira digital de crédito PJ: para empresas com balanço organizado e certidões em dia, a resposta sai rápido pelo Bradesco Net Empresa. O spread, porém, fica acima do praticado por BB e bancos de montadora — o Bradesco raramente vence a disputa por taxa, mas compete em conveniência para quem já é cliente.

Santander

O Santander é o banco privado com maior apetite em veículos pesados via Santander Negócios, com aprovação ágil, mas o spread é dos mais altos do grupo: taxa final estimada entre 12,0% e 13,5% ao ano e entrada típica de 20%. É opção a considerar quando a velocidade de liberação importa mais que o custo — por exemplo, para não perder um caminhão usado bem precificado — ou quando os demais bancos recusaram a operação.

Itaú Unibanco

O Itaú opera o repasse pelo Itaú Empresas e, para frotas maiores, pelo Itaú BBA. A taxa final estimada fica entre 11,5% e 12,8% ao ano, com entrada de 15% a 20%. O banco é forte na análise de frotistas com faturamento comprovado e contratos de frete recorrentes — perfil em que consegue ofertar condições próximas às do BB. Para autônomo pessoa física, o funil é mais restrito que o dos bancos públicos.

Bancos de montadora (Volvo Financial, Banco Mercedes-Benz, Scania Banco, VWFS, DLL)

Os bancos de montadora praticam os menores spreads do programa — taxa final estimada de 10,5% a 11,5% ao ano — porque o financiamento é ferramenta de venda do próprio caminhão. A entrada parte de 10% e há campanhas sazonais com condições ainda mais agressivas em feirões e lançamentos. As limitações: financiam apenas veículos da própria marca (a DLL, ligada ao grupo Rabobank, atende múltiplas marcas parceiras, incluindo linhas da Volkswagen/MAN via VWFS em estruturas distintas), e a análise é feita na concessionária, vinculada ao pedido do veículo. Para caminhão novo da marca, é quase sempre o primeiro orçamento a tirar.

Condições de aprovação: o que cada banco exige

O enquadramento no programa é padronizado pelo BNDES, mas a régua de crédito é de cada agente. Em comum, todos exigem: cadastro sem restrições graves (Serasa/SPC dentro do limite de cada banco), certidões negativas na Receita Federal e PGFN, comprovação de capacidade de pagamento e — para transporte remunerado de cargas — RNTRC ativo na ANTT. O tempo médio de análise e liberação vai de 5 a 15 dias úteis, mais rápido nos bancos de montadora e na esteira digital dos privados, mais lento na Caixa.

Os motivos mais comuns de recusa para autônomos, relatados por agentes e despachantes de crédito: parcela acima de 30% da renda comprovada, RNTRC inativo ou em nome de terceiro, Imposto de Renda desatualizado ou incompatível com o faturamento declarado, e tempo de atividade inferior a 12 meses no transporte. Quem está começando agora encontra o passo a passo para tirar e regularizar o RNTRC antes de pedir o crédito.

Documentação para autônomo (CPF) vs transportadora (CNPJ)

DocumentoAutônomo (CPF)Transportadora (CNPJ)
CPF/CNPJ regularSimSim
RNTRC ativo (ANTT)SimSim
Contrato social / MEISim
Última declaração de IRSimSim (IRPJ + balanço)
CND Receita Federal + PGFNSimSim
CRF (regularidade FGTS)Sim
Comprovante de renda/faturamentoSim (parcela até 30% da renda)Sim
Orçamento formal do veículoSimSim

Qual banco escolher para cada perfil

Caminhoneiro autônomo comprando o primeiro caminhão

Para caminhão novo, o caminho mais barato costuma ser o banco da montadora do veículo escolhido. Para caminhão usado ou seminovo (até 10 anos de fabricação, limite de R$ 500 mil na linha do autônomo), a disputa fica entre Banco do Brasil e as cooperativas. Uma simulação prática mostra o peso da escolha. Considere um caminhão usado de R$ 400.000 com 20% de entrada (R$ 80.000), financiando R$ 320.000 em 72 meses pela tabela Price:

O cálculo parte da taxa mensal equivalente: taxa mensal = (1 + taxa anual)^(1/12) − 1. Para 10,8% a.a., isso dá 0,86% ao mês; para 11,3% a.a., 0,90% ao mês; para 12,0% a.a., 0,95% ao mês. Aplicando a fórmula da Price — parcela = valor financiado × i ÷ (1 − (1+i)^−72) — chega-se a:

CenárioTaxa anualTaxa mensal equivalenteParcela (72×)Total pago
Banco de montadora10,8%0,86%≈ R$ 5.980≈ R$ 430.300
Banco do Brasil11,3%0,90%≈ R$ 6.050≈ R$ 435.700
Banco privado (referência)12,0%0,95%≈ R$ 6.160≈ R$ 443.100

Valores estimados em 16/07/2026, sem IOF, tarifas e seguros; a taxa contratada depende da análise de crédito individual. A diferença entre o cenário mais barato e o mais caro passa de R$ 12.800 ao longo do contrato — dinheiro que cobre meses de manutenção preventiva. Antes de fechar, vale conferir como comprar caminhão usado com segurança para o laudo de vistoria não travar a liberação.

Pequeno frotista renovando frota

Quem financia veículos em lote negocia em outra posição. Banco do Brasil e Itaú são os mais estruturados para operações múltiplas, e o frotista que sucateia caminhões com mais de 20 anos acessa a equalização adicional de 1,5 ponto percentual da linha de renovação de frota — desconto que nenhuma negociação de spread entrega sozinha. A recomendação prática é cotar sempre em três frentes: o banco de relacionamento da empresa, o banco da montadora dos veículos novos e uma cooperativa ou banco público como contraprova de taxa.

Passo a passo para pedir o financiamento Move Brasil

  1. Defina o veículo e obtenha o orçamento formal do concessionário ou revendedor — o documento é obrigatório na análise;
  2. Confira o enquadramento: caminhão novo fabricado no Brasil ou seminovo com até 10 anos, tomador com RNTRC ativo e certidões em dia;
  3. Cote em pelo menos três agentes da rede credenciada oficial do BNDES, incluindo o banco da montadora quando o veículo for novo;
  4. Simule no canal do banco escolhido informando valor, entrada e prazo — o sistema verifica automaticamente o enquadramento no programa;
  5. Envie a documentação e aguarde a análise (5 a 15 dias úteis); aprovado o crédito, o banco paga o fornecedor diretamente e o veículo sai alienado à instituição.

O que esperar das taxas até o fim de 2026

Com a Selic em 14,75% ao ano na consulta de 16/07/2026, o crédito livre segue caro — e a vantagem relativa do Move Brasil 2, com taxa efetiva média de 11,3% ao ano, tende a se manter enquanto durar a equalização do Tesouro. Dois movimentos merecem monitoramento no segundo semestre: eventuais revisões do CMN na taxa equalizada do programa (historicamente anuais ou pontuais) e o esgotamento da dotação orçamentária, que em ciclos anteriores levou à suspensão temporária de novas contratações no fim do exercício. Para o transportador, a leitura é direta: quem tem operação enquadrada e crédito aprovável ganha pouco esperando taxa menor — e corre o risco de encontrar a janela fechada.

No planejamento da compra, a prestação é só parte da conta: o custo operacional continua pressionado pelo preço do diesel S10, atualizado diariamente, e a taxa vigente do programa pode ser acompanhada na cotação do financiamento BNDES. O panorama completo do programa — linhas, elegibilidade e critérios — está no guia do Programa Move Brasil 2026.

Quem já definiu o banco pode consultar os caminhões à venda na Só Caminhões Virtual que se enquadram nos critérios do Move Brasil e pedir a simulação diretamente ao vendedor anunciante.

Perguntas frequentes sobre os bancos parceiros do Move Brasil

Quais bancos são parceiros do Move Brasil em 2026?

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, bancos de montadora (Volvo Financial Services, Banco Mercedes-Benz, Scania Banco, VWFS e DLL) e cooperativas como Sicoob e Sicredi. A lista oficial de credenciados é mantida pelo BNDES e atualizada periodicamente.

Qual banco tem a menor taxa no Move Brasil?

Em regra, os bancos de montadora, com taxa final estimada de 10,5% a 11,5% ao ano para veículos da própria marca (consulta em 16/07/2026). Entre os bancos comerciais, o Banco do Brasil tende a praticar o menor spread para micro e pequenas empresas e autônomos.

Qual a entrada mínima para financiar caminhão pelo Move Brasil?

A participação mínima do tomador varia de 10% a 20% do valor do bem conforme o banco e o porte: bancos de montadora e Banco do Brasil trabalham a partir de 10%; Caixa e Santander tipicamente exigem 20%.

Autônomo com CPF consegue financiar pelo Move Brasil?

Sim. A linha do autônomo aceita pessoa física com RNTRC ativo na ANTT, limite de até R$ 500 mil por operação e parcela limitada a cerca de 30% da renda comprovada.

Move Brasil é o mesmo que FINAME?

Não. O FINAME PSI foi extinto em 2015. O programa vigente é o Move Brasil 2, que usa a estrutura operacional de repasse do BNDES, mas tem taxas, regras e orçamento próprios, definidos pelo Conselho Monetário Nacional.

Quanto tempo demora a aprovação do financiamento?

De 5 a 15 dias úteis em média, contados do envio completo da documentação. Bancos de montadora e esteiras digitais dos privados costumam responder mais rápido; a Caixa tende a levar mais tempo.

Caminhão usado entra no Move Brasil?

Sim, seminovos com até 10 anos de fabricação e laudo de vistoria aprovado são elegíveis, com prazo máximo de 72 meses — contra 120 meses do caminhão novo.

Foto: Brian Stalter via Unsplash

Fonte: BNDES, Banco Central (BCB), FENABRAVE