Colheita do algodão 2026 avança em Mato Grosso e na Bahia e movimenta o transporte de fardos e pluma

Janela sazonal de julho a outubro abre frete curto de fardo rolinho e estende o escoamento rodoviário da pluma até os portos no início de 2027.

A colheita do algodão da safra 2025/26 ganhou ritmo em julho de 2026 nas lavouras de Mato Grosso e do oeste da Bahia, os dois maiores produtores do país. Para o transportador, começa uma das janelas de frete mais longas do agronegócio: primeiro o percurso curto do fardo rolinho da lavoura até a algodoeira, depois a viagem longa da pluma prensada até os portos de Santos (SP), Salvador e Aratu (BA).

Os números da CONAB para Mato Grosso e Bahia

Segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2025/26 da CONAB (10º levantamento, julho/2026), a produção brasileira de algodão em pluma segue projetada na casa de 3,7 milhões de toneladas. Mato Grosso responde por cerca de 70% do volume nacional, com polos em Rondonópolis, Sapezal, Campo Verde e Primavera do Leste; a Bahia vem em seguida, com cerca de 20%, concentrada em Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério.

Como a maior parte da pluma é exportada, a remuneração da cadeia acompanha o dólar e o Indicador do Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ, cotado em centavos de dólar por libra-peso — quando o câmbio sobe, cresce a pressão do embarcador para acelerar os embarques.

Calendário: colheita, beneficiamento e pico de escoamento

A colheita começa entre o fim de junho e julho e avança até outubro. O beneficiamento nas algodoeiras segue até dezembro e janeiro, e o escoamento rodoviário da pluma para os portos se estende de agosto de 2026 a fevereiro de 2027 — uma janela mais longa que a da soja e a do milho.

Por que o algodão movimenta o caminhoneiro

Fardo rolinho e pluma prensada: dois fretes diferentes

Na lavoura, as colheitadeiras com prensa embarcada produzem o fardo rolinho de cerca de 2,2 toneladas, transportado em prancha ou plataforma adaptada da roça até a algodoeira — frete curto e intenso, contratado por produtores e algodoeiras da região durante toda a colheita.

Depois do beneficiamento, a pluma sai prensada em fardinhos de aproximadamente 200 kg, carregados em carreta sider, baú ou porta-contêiner rumo ao porto. É carga leve em relação ao volume: o conjunto atinge o limite de espaço antes do peso máximo, e a fibra exige lona em bom estado e amarração reforçada, conforme as resoluções do CONTRAN — algodão é inflamável e não pode viajar exposto a fagulha ou chuva. Filas nos terminais de contêiner de Rondonópolis e nos portos fazem parte da rotina no pico.

Rotas e regiões críticas

Mato Grosso: Rondonópolis e o corredor BR-163 até Santos

Em Mato Grosso, a pluma converge para Rondonópolis, onde parte é consolidada em contêineres, e desce pelo eixo BR-163/BR-364 até o Porto de Santos, principal porta de saída do algodão brasileiro.

Bahia: Luís Eduardo Magalhães e a BR-242 rumo a Salvador e Aratu

No oeste baiano, o fluxo sai de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras pela BR-242, cruzando o estado até os portos de Salvador e Aratu — cerca de 900 km de rodovia com trechos de serra e tráfego pesado na safra.

Faixas de frete na janela do algodão

O piso legal é a tabela de frete mínimo da ANTT (Resolução nº 5.867/2020, tabela vigente confirmada em 1º/07/2026): R$ 4,0031 por quilômetro para carga geral lotação com 2 eixos carregados, subindo conforme o número de eixos. Confira a cotação atualizada do frete mínimo ANTT e o guia da tabela de frete mínimo ANTT 2026.

No mercado spot, o Sifreca/ESALQ-LOG aponta o corredor Rondonópolis–Santos na faixa de R$ 300 a R$ 360 por tonelada para grãos — referência do eixo; a pluma prensada, carga geral de maior valor agregado, costuma negociar acima do granel. Os valores variam por praça, data e contrato. Do lado do custo, o diesel S10 marcou R$ 6,97 por litro na média nacional da ANP na semana encerrada em 11/07/2026 — acompanhe a cotação do diesel S10.

Como o caminhoneiro entra nessa safra — e quais os riscos

Quem quer aproveitar a janela deve manter o RNTRC ativo na ANTT e se cadastrar em transportadoras e embarcadores de Rondonópolis (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA), que contratam agregados e terceiros no pico. Prancha atende o fardo rolinho; sider, baú ou porta-contêiner atendem a pluma. Os cuidados: respeitar o peso por eixo, caprichar na amarração e na lona, contratar seguro de carga (RCTR-C) e contar com fiscalização de balança nas BRs 163 e 242. A sazonalidade se soma às janelas da colheita do milho safrinha e do transporte da safra de soja — e quem busca conjunto para carga seca encontra caminhões e implementos à venda na Só Caminhões Virtual.

Perguntas frequentes

Quando é o pico do transporte de algodão em 2026?

A colheita vai de julho a outubro de 2026; o escoamento da pluma beneficiada para os portos concentra-se de agosto de 2026 a fevereiro de 2027.

Qual caminhão carrega algodão?

O fardo rolinho, de cerca de 2,2 toneladas, viaja em prancha ou plataforma no trecho lavoura–algodoeira; a pluma prensada, em fardinhos de aproximadamente 200 kg, segue em carreta sider, baú ou porta-contêiner até o porto.

Quanto paga o frete do algodão?

O spot varia por praça e época. A referência do corredor Rondonópolis–Santos em grãos é de R$ 300 a R$ 360 por tonelada (Sifreca), com a pluma negociando acima; o piso ANTT para carga geral lotação 2 eixos é de R$ 4,0031/km.

Fonte: CONAB — Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2025/26; CEPEA/ESALQ; ESALQ-LOG/Sifreca; ANTT (Resolução nº 5.867/2020); ANP.

Foto: Gabriel Santos via Unsplash

Fonte: conab.gov.br