Colheita do milho safrinha 2026 acelera no Centro-Oeste e aquece o frete de grãos

A colheita do milho segunda safra 2025/26, a safrinha, avança em ritmo forte por Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul em julho de 2026 e já pressiona a logística de grãos do Centro-Oeste. Com a CONAB projetando a safra brasileira perto de 340 milhões de toneladas — cerca de 138 milhões só de milho —, os corredores BR-163 e BR-364 entram nos meses de maior demanda por caminhão graneleiro do ano. Para o transportador, a janela de frete aquecido vai de julho a setembro, com pico em julho e agosto.

Colheita do milho safrinha 2026: onde está e quanto milho vai entrar no mercado

Os levantamentos do Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos da CONAB publicados ao longo do primeiro semestre de 2026 consolidaram o ciclo 2025/26 entre os maiores da história: perto de 340 milhões de toneladas de grãos, com a soja em torno de 177 milhões e o milho ao redor de 138 milhões de toneladas — cerca de três quartos vindos da segunda safra, plantada entre fevereiro e março sobre a área recém-colhida de soja.

Mato Grosso segue como maior produtor nacional, puxado pelo médio-norte (Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde), com Goiás e Mato Grosso do Sul na sequência. A colheita começou em junho e ganha velocidade em julho; o percentual colhido muda semana a semana e deve ser acompanhado nos boletins da CONAB e do Imea, em Mato Grosso.

Calendário da safrinha: pico de escoamento entre julho e setembro

O escoamento se concentra entre julho e setembro, quando o produtor precisa liberar armazém e cumprir contratos de exportação. É essa pressa que faz da safrinha o segundo grande pico anual do frete rodoviário, atrás apenas da soja, colhida entre janeiro e abril. Quem acompanhou a colheita da soja 2026 e o frete de grãos conhece o ciclo: muito grão, pouco caminhão, frete em alta.

Por que a safrinha aquece o frete para o caminhoneiro

A demanda recai sobre o conjunto graneleiro: o bitrem de 7 eixos (PBT de até 57 toneladas, carga útil de 37 a 40 t) domina os corredores do Centro-Oeste, seguido pelo rodotrem de 9 eixos (até 74 t de PBT), que exige Autorização Especial de Trânsito (AET). Cavalos 6x4, com tração para esse peso, são os mais procurados pelas transportadoras da região.

Na prática, a rotina do graneleiro muda no pico: fila para carregar no armazém em Sorriso ou Rondonópolis, horas de espera na moega e viagem redonda calculada no detalhe — a ida ao porto ou ao transbordo paga bem, mas o retorno, muitas vezes vazio, precisa entrar na conta antes de fechar o valor. No spot, quem negocia com cerealista ou cooperativa no início da janela costuma travar valores melhores.

Rotas e regiões críticas do escoamento

BR-163 (Sorriso–Miritituba) e Arco Norte

A BR-163 liga o médio-norte mato-grossense a Miritituba (PA), a cerca de 1.000 km de Sorriso, onde o milho embarca em barcaças rumo aos portos do Arco Norte. O trecho concentra tráfego pesado e filas nas estações de transbordo de julho a setembro.

BR-364 e corredor Rondonópolis–Santos

A BR-364 recolhe o grão do sudeste de Mato Grosso e conecta Rondonópolis — maior polo logístico de grãos do estado — ao corredor que desce a Santos (SP), viagem na casa de 1.400 km. A BR-070 completa o mapa, escoando Goiás e o leste mato-grossense.

Faixas de preço do frete de milho nos principais corredores

A referência pública de frete agrícola são os painéis do Sifreca/ESALQ-LOG. Em safras recentes, o grão a granel saiu de Sorriso rumo a Santos entre R$ 380 e R$ 460 por tonelada no pico, de Rondonópolis a Santos entre R$ 300 e R$ 360/t e de Sorriso a Miritituba na casa de R$ 200/t. No auge da safrinha o milho roda em faixas próximas, cedendo conforme a pressão de colheita diminui. Os valores spot variam por praça e por data — consulte o painel na semana da viagem antes de fechar contrato. O preço do grão, por sua vez, é balizado pelo Indicador do Milho ESALQ/B3 (Campinas), do CEPEA-USP.

Frete spot vs tabela de piso mínimo da ANTT

Nenhum frete pode ser contratado abaixo do piso mínimo da ANTT, fixado pela Política Nacional de Pisos Mínimos (Lei nº 13.703/2018) e operacionalizado pela Resolução nº 5.867/2020, com tabela específica para granel sólido atualizada a cada semestre, em janeiro e julho — confira a tabela de frete mínimo da ANTT vigente. No custo, o diesel S10 rodava na média nacional de R$ 7,02 por litro no início de julho de 2026, segundo a ANP — acompanhe o preço do diesel S10 atualizado.

Como o caminhoneiro pode aproveitar a janela — e os riscos

Julho e agosto concentram a maior oferta de carga do segundo semestre. Antes de aceitar viagem, vale calcular o custo real do frete por quilômetro, somando diesel, pneus, pedágio e o retorno. A janela também movimenta o mercado de máquinas: cresce a procura por cavalos 6x4 e implementos graneleiros nas praças do Centro-Oeste.

Os riscos são conhecidos: filas de mais de um dia em transbordos e portos no auge do escoamento, diesel pressionado pela própria demanda e a queda natural do frete a partir do fim de setembro, quando o grosso do grão já saiu. O planejamento do retorno — e a disciplina de não rodar abaixo do piso — separam a safra lucrativa do prejuízo.

Perguntas frequentes

Quando é o pico do frete do milho safrinha em 2026?
Entre julho e setembro, com maior pressão em julho e agosto, quando a colheita avança em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e os armazéns precisam ser liberados.

Quanto paga o frete de milho de Mato Grosso até o porto?
Como referência dos painéis Sifreca/ESALQ-LOG em safras recentes, Sorriso–Santos ficou entre R$ 380 e R$ 460 por tonelada no pico, Rondonópolis–Santos entre R$ 300 e R$ 360/t e Sorriso–Miritituba na casa de R$ 200/t. Os valores spot variam por praça e data.

Qual caminhão é mais usado no transporte do milho safrinha?
O bitrem graneleiro de 7 eixos, com PBT de até 57 toneladas e carga útil de 37 a 40 t. O rodotrem de 9 eixos carrega mais, porém exige Autorização Especial de Trânsito (AET).

O frete de milho pode ficar abaixo da tabela da ANTT?
Não. A Lei nº 13.703/2018 estabelece piso mínimo obrigatório por quilômetro para granel sólido, com tabela atualizada semestralmente pela ANTT.

Fontes: Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos (CONAB); painéis de frete Sifreca/ESALQ-LOG; Indicador do Milho ESALQ/B3 (CEPEA-USP); Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (ANTT); Levantamento de Preços de Combustíveis (ANP, julho/2026).

Foto: Gabriel Santos via Unsplash

Fonte: conab.gov.br