O governo do estado de São Paulo entregou em maio de 2026 a duplicação do trecho rodoviário de acesso ao Porto de Santos pela Via Anchieta (SP-150), obra que reduziu em 40% o tempo médio de espera dos caminhões para entrada no complexo portuário. O investimento de R$ 480 milhões, executado pelo DNIT em parceria com a Santos Port Authority (SPA), beneficia diretamente os cerca de 12 mil caminhões que acessam o porto diariamente, segundo dados da ANTAQ.
O que foi concluído no acesso rodoviário pela Anchieta
Escopo da obra e trecho duplicado
A duplicação abrange 14,2 km do trecho entre o entroncamento da Anchieta com a Cônego Domênico Rangoni (SP-055) e o portão de acesso à margem direita do porto, na zona noroeste de Santos. O projeto incluiu a construção de duas faixas adicionais por sentido, viadutos nos cruzamentos com a Alemoa e o bairro do Macuco, além de um pátio de triagem reguladora com capacidade para 800 caminhões, substituindo o antigo sistema de filas em acostamento.
Investimento e prazo de execução
A obra consumiu R$ 480 milhões em recursos federais e estaduais, com execução iniciada em agosto de 2023. O DNIT foi responsável pela supervisão técnica, enquanto a SPA coordenou a integração com o sistema de agendamento portuário. O prazo original previa conclusão para dezembro de 2025, mas ajustes geotécnicos no trecho da Alemoa estenderam a entrega para o primeiro trimestre de 2026.
Como a redução de 40% no tempo de espera impacta o caminhoneiro
Antes vs depois: tempo médio de fila e acesso
Antes da duplicação, o tempo médio de espera para acesso ao Porto de Santos pela Anchieta era de 4h20 nos horários de pico, conforme levantamento da CNT — Pesquisa de Rodovias 2025. Motoristas relatavam filas que começavam ainda no km 55 da Anchieta, com caminhões parados no acostamento por até 8 horas em períodos de safra. Com o novo trecho duplicado e o pátio de triagem, o tempo médio caiu para 2h35, uma redução efetiva de 40% confirmada pela SPA com base nos primeiros 60 dias de operação plena.
Economia estimada em diesel e diária parada
A NTC&Logística estima que cada hora de caminhão parado custa entre R$ 180 e R$ 250, considerando diesel em marcha lenta, depreciação e custo de oportunidade. Com a redução média de 1h45 por viagem, o motorista autônomo economiza entre R$ 315 e R$ 437 por acesso ao porto. Para um frotista com 20 caminhões fazendo duas viagens semanais a Santos, isso representa uma economia mensal de até R$ 70 mil.
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Tempo médio de espera (pico) | 4h20 | 2h35 |
| Custo de hora parada (autônomo) | R$ 180–250/h | R$ 180–250/h |
| Economia por viagem | — | R$ 315–437 |
| Fila máxima em safra | 8h+ | ~4h |
Impacto na logística portuária e no frete rodoviário
Capacidade de escoamento e fluxo diário de caminhões
O Porto de Santos movimentou 178 milhões de toneladas em 2025, conforme balanço da ANTAQ, consolidando a posição de maior complexo portuário da América Latina. O acesso rodoviário responde por 72% da carga que chega ao porto. Com a duplicação, a capacidade de recebimento no trecho da Anchieta saltou de 4,8 mil para 7,2 mil caminhões por dia, desafogando também os acessos pela Imigrantes e pela Cônego Domênico Rangoni.
Reflexo no custo do frete para Santos
A redução do tempo de espera tem efeito direto na composição do frete. Segundo a tabela de frete mínimo da ANTT, o custo de espera no destino é um dos componentes que mais onera operações com destino portuário. Transportadores consultados pelo Portogente estimam que o frete rodoviário com destino a Santos pode recuar entre 3% e 5% nos próximos meses, à medida que o novo fluxo se estabilizar. Para quem opera caminhões para frete rodoviário, a rota Santos ganha competitividade frente a Paranaguá e Itajaí.
Próximas etapas de infraestrutura no complexo santista
A SPA já anunciou três obras complementares previstas para 2026 e 2027: a construção do túnel submerso Santos-Guarujá (em licitação), a ampliação do pátio regulador da margem esquerda e a modernização do sistema de agendamento eletrônico (e-Porto) com integração ao sistema de pesagem em movimento (WIM). O DNIT também prevê a recuperação do pavimento da Cônego Domênico Rangoni entre Cubatão e Guarujá, trecho classificado como "ruim" pela Pesquisa CNT de Rodovias.
Perguntas frequentes
Qual trecho foi duplicado no acesso ao Porto de Santos?
Foram duplicados 14,2 km da Via Anchieta (SP-150), entre o entroncamento com a Cônego Domênico Rangoni e o portão noroeste do porto, incluindo viadutos e um pátio de triagem para 800 caminhões.
Quanto custou a obra de duplicação da Anchieta?
O investimento total foi de R$ 480 milhões, com recursos federais e estaduais, sob supervisão do DNIT.
Como o caminhoneiro autônomo se beneficia da duplicação?
A redução de 1h45 no tempo de espera por viagem gera economia estimada entre R$ 315 e R$ 437 por acesso ao porto, considerando diesel, depreciação e custo de oportunidade.
O frete para Santos vai ficar mais barato?
Transportadores e analistas do setor projetam recuo de 3% a 5% no frete rodoviário com destino a Santos nos próximos meses, conforme o novo fluxo se estabilizar.
Foto: Josh Withers via Unsplash
Fonte: ANTAQ, DNIT, Santos Port Authority (SPA), CNT — Pesquisa de Rodovias, NTC&Logística