Diesel acumula alta de 23% em 2026 e pressiona custo do frete no Brasil

O preço do diesel atingiu R$ 7,45 por litro nos postos brasileiros na primeira semana de abril, acumulando alta de 23,5% no ano e forçando reajustes em toda a cadeia do transporte rodoviário.

O levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgado na semana encerrada em 5 de abril de 2026, mostra o diesel comum a R$ 7,45 por litro e o diesel S10 a R$ 7,58. Os valores representam o maior patamar desde julho de 2022 e refletem os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o preço internacional do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril.

Reajustes da Petrobras e defasagem de preços

A escalada começou com o reajuste de R$ 0,38 por litro aplicado pela Petrobras em 14 de março na venda do diesel A às distribuidoras. Em abril, a estatal realizou novo ajuste de R$ 0,1170 por litro. O preço médio do diesel A praticado pela companhia para as distribuidoras passou a R$ 3,65 por litro.

Mesmo com os reajustes, a defasagem entre o preço doméstico e a cotação internacional chegou a 58%, segundo cálculos da ABICOM. A Petrobras afirmou que sua política de preços "não prevê periodicidade definida de reajuste" e que segue monitorando as condições de mercado.

Impacto direto no frete e nas transportadoras

O diesel representa entre 30% e 45% do custo operacional de uma frota de caminhões, dependendo do porte do veículo e da extensão da rota. Para uma transportadora com 100 veículos que consomem em média 10 mil litros por mês cada, a alta acumulada representa um impacto que pode ultrapassar R$ 4 milhões ao ano.

A ANTT atualizou a tabela de piso mínimo do frete com base na Portaria SUROC nº 4, de 20 de março, fixando o preço de referência do diesel S10 em R$ 7,35 por litro. O reajuste médio nos pisos de frete ficou em 4,8% para carga lotação convencional e acima de 5,5% para veículos automotores. O mecanismo de "gatilho do diesel", previsto na Lei nº 13.703/2018, foi acionado após variação superior a 5% no preço do combustível.

O frete rodoviário já havia iniciado o ano em alta, com preço médio de R$ 7,61 por quilômetro rodado em janeiro, segundo a Edenred Repom — terceiro mês consecutivo de avanço.

Governo reage com pacote de subsídios

Em 6 de abril, o governo federal anunciou um pacote emergencial para conter a escalada dos preços. As principais medidas incluem:

  • Subvenção de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo estimado de R$ 6 bilhões (R$ 3 bilhões por mês), totalmente bancado pela União.
  • Subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo dividido entre governo federal (R$ 2 bilhões) e estados (R$ 2 bilhões). A medida já conta com adesão de 25 estados.
  • Zeragem do PIS/Cofins sobre a comercialização de diesel, ampliando o alívio fiscal.

Essas medidas se somam ao subsídio de R$ 0,32 por litro já estabelecido pela Medida Provisória nº 1.340 de março. Os subsídios têm vigência prevista para abril e maio de 2026.

Apesar do pacote, a categoria dos caminhoneiros segue pressionando por novas reduções, com movimentos de paralisação sendo organizados em diversas regiões do país.

Fonte: ANP — Síntese Semanal de Preços (abril/2026); Agência Brasil; ANTT — Portaria SUROC nº 4/2026; Ministério da Fazenda

Fonte: ANP — Síntese Semanal de Preços (abril/2026); Agência Brasil; ANTT — Portaria SUROC nº 4/2026; Ministério da Fazenda