Reta final da colheita do café 2026 movimenta o transporte rodoviário em Minas Gerais e no Espírito Santo

Publicado em 31/07/2026

A colheita do café 2026 entra em agosto na reta final nas lavouras de arábica de Minas Gerais, enquanto no Espírito Santo o conilon já colhido segue em pleno escoamento — combinação que eleva a procura por trucks, carretas sider e graneleiras nas rotas que ligam as regiões produtoras aos armazéns de cooperativas e aos portos de Santos (SP) e da Grande Vitória (ES). Com o grão beneficiado saindo das fazendas ao mesmo tempo em que os embarques de exportação avançam, agosto costuma ser o último mês de demanda cheia por caminhão nessas praças, conforme o calendário agrícola acompanhado pela Conab.

Calendário da safra: onde estamos na colheita do café 2026

A Conab publica quatro levantamentos anuais da safra de café (janeiro, maio, setembro e dezembro); o levantamento mais recente da safra 2026, divulgado em maio, está na página de acompanhamento da safra de café da Conab. Para dimensionar o fluxo logístico: a safra 2024 fechou em 54,2 milhões de sacas de 60 kg (4º levantamento, dezembro de 2024), com Minas Gerais respondendo por cerca de metade da produção nacional e o Espírito Santo liderando o conilon — e praticamente todo esse volume roda de caminhão em alguma etapa da cadeia.

Arábica em Minas: Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas

Nas três grandes regiões mineiras, a colheita do arábica vai de maio a setembro — agosto é o mês que fecha o grosso do trabalho. Varginha, Guaxupé, Três Pontas e Alfenas concentram a recepção no Sul de Minas; Patrocínio e Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro. O café chega das fazendas em sacaria de 60 kg ou big bags de aproximadamente 1.200 kg, carga típica de truck com baú sider ou carroceria lonada.

Conilon no Espírito Santo: colheita encerrada, escoamento a pleno vapor

No Espírito Santo, a colheita do conilon se concentra entre abril e julho — na virada para agosto o campo praticamente encerra e o fluxo migra para a logística: das montanhas e do norte capixaba, o grão desce para armazéns e terminais da Grande Vitória, de onde parte para exportação e para as torrefações e indústrias de solúvel.

Por que a reta final movimenta o frete rodoviário

No fim da colheita, o mesmo caminhão é disputado por três fluxos simultâneos: fazenda–armazém, armazém–cooperativa e cooperativa–porto. Quando o Indicador CEPEA/ESALQ do café opera em patamar atrativo, as vendas se aceleram e os embarques são antecipados, esticando a demanda por veículo. O Porto de Santos historicamente concentra cerca de 80% dos embarques de café do país, segundo o Cecafé.

Rotas e regiões críticas do escoamento

Sul de Minas e Cerrado → Porto de Santos (BR-381, BR-459, SP-330)

Do Sul de Minas, o café desce pela BR-381 (Fernão Dias) e pela BR-459 (Poços de Caldas–Pouso Alegre) até o interior paulista, seguindo a Santos pelos eixos Anhanguera (SP-330) e Bandeirantes. O primeiro trecho, entre fazenda e armazém, costuma ser em estradas vicinais de terra — atenção com peso, lona e conservação do conjunto.

Montanhas do ES e Zona da Mata → Vitória/Vila Velha (BR-262, BR-101)

No corredor capixaba, a BR-262 liga as montanhas produtoras e a Zona da Mata mineira aos terminais de Vitória e Vila Velha, enquanto a BR-101 recolhe a produção do norte do estado. São distâncias mais curtas que as mineiras, com giro maior de viagens por dia.

Faixas de preço do frete e piso mínimo ANTT

É preciso separar piso legal de preço praticado. O piso é a Tabela de Frete Mínimo da ANTT (Resolução nº 5.867/2020, com valores reajustados periodicamente): café ensacado ou em big bag se enquadra como carga geral; grão em graneleiro, como granel sólido. A referência acompanhada pela Só Caminhões Virtual estava em R$ 4,00 por quilômetro para carga geral em lotação de 2 eixos, valor confirmado sem alteração em julho de 2026 — numa rota típica Sul de Minas–Santos, de 350 a 450 km, isso significa piso na casa de R$ 1.400 a R$ 1.800 para esse conjunto, e coeficiente maior para carretas LS e bitrens. Consulte os valores vigentes do frete mínimo ANTT antes de fechar viagem. Já o preço praticado por rota é publicado pelo Sifreca, da ESALQ-LOG, que cobre praças como Varginha e Patrocínio com destino a Santos. No custo, pese o diesel S10, cotado a R$ 6,95 o litro na média nacional da Síntese Semanal 30/2026 da ANP (25/07/2026) — acompanhe a cotação atualizada do diesel S10.

Cuidados no transporte: umidade, big bags, lona e seguro

Café absorve umidade e odores: assoalho seco, baú limpo e lona íntegra são exigência de embarque — carroceria com resíduo de fertilizante ou defensivo gera recusa de carga. Big bags pedem cintas e conferência de amarração a cada parada. Nas rotas de maior valor agregado, embarcadores exigem gerenciamento de risco (rastreador, escolta em trechos críticos) por causa do roubo de carga, além do seguro RCTR-C em dia. Na alta temporada, filas de descarga em cooperativas e nos terminais de Santos consomem horas não remuneradas — agendamento é essencial.

Como o caminhoneiro pode aproveitar a janela de agosto

  • Posicionar-se perto dos polos de recepção (Varginha, Guaxupé, Patrocínio, Grande Vitória) e cadastrar-se nas transportadoras e agenciadores que atendem as cooperativas;
  • Combinar frete de retorno com insumos e fertilizantes para não rodar vazio — lógica detalhada na cobertura do transporte rodoviário na safra de soja 2026;
  • Fechar viagem com base em custo real, comparando o preço ofertado com o piso ANTT e o diesel da semana;
  • Quem avalia ampliar a operação para a carga agro encontra trucks, carretas e graneleiros à venda no catálogo da Só Caminhões Virtual.

Perguntas frequentes

Quando termina a colheita do café 2026?

O arábica de Minas Gerais encerra entre agosto e setembro; o conilon capixaba já está colhido. O escoamento remanescente segue até outubro/novembro, com demanda decrescente por caminhão.

Que veículo o embarcador pede no frete do café?

Truck com baú sider ou carroceria lonada para sacaria de 60 kg; carreta LS e bitrem graneleiro para big bags e grão a granel nos trechos até o porto.

Existe piso de frete para transportar café?

Sim. Vale a Tabela de Frete Mínimo da ANTT (Resolução nº 5.867/2020), nas categorias carga geral (ensacado/big bag) ou granel sólido (graneleiro); a referência de julho de 2026 era R$ 4,00/km para carga geral em lotação de 2 eixos.

Onde consultar o frete praticado por rota?

No Sifreca (ESALQ-LOG), que publica fretes reais por praça e destino, e nas mesas de frete das cooperativas e transportadoras das regiões produtoras.

Fontes: Conab — Acompanhamento da Safra Brasileira de Café; Cepea/Esalq-USP — Indicador do café; Sifreca/ESALQ-LOG; ANTT — Resolução nº 5.867/2020; ANP — Síntese Semanal de Preços de Combustíveis 30/2026. Faixas de frete variam por rota, contrato e época; confirme os valores vigentes na data da negociação.

Foto: Gabriel Santos via Unsplash

Fonte: conab.gov.br