Colheita de café 2026 atinge o pico e aquece o transporte rodoviário no Sul de Minas e no Cerrado Mineiro

Publicado em 15/07/2026

O pico da colheita de café 2026 movimenta o mês de julho nas duas principais regiões produtoras do Brasil — Sul de Minas e Cerrado Mineiro — e eleva a procura por caminhões trucks, carretas graneleiras e baús sider para levar o grão das fazendas às cooperativas e, de lá, ao Porto de Santos. A janela forte de frete vai de junho a setembro, conforme o calendário agrícola acompanhado pela Conab, e o ciclo bienal do arábica aponta 2026 como ano de bienalidade positiva, o que amplia o volume a escoar pelas rodovias mineiras e paulistas.

Calendário da safra de café 2026: onde estamos no ciclo

A Conab publica quatro levantamentos anuais da safra de café (janeiro, maio, setembro e dezembro); o segundo levantamento da safra 2026, divulgado em maio, está disponível na página de acompanhamento da safra de café da Conab. Para dimensionar a escala do fluxo logístico: a safra 2024 fechou em 54,2 milhões de sacas de 60 kg (4º levantamento da Conab, dezembro de 2024), com Minas Gerais respondendo por cerca de metade da produção nacional — e praticamente todo esse volume viaja de caminhão em alguma etapa da cadeia.

Sul de Minas: pico entre junho e agosto

Maior polo mundial de café arábica, o Sul de Minas concentra a colheita entre maio e setembro, com pico de junho a agosto. Varginha, Guaxupé, Três Pontas e Alfenas são os principais centros de recepção. A Cooxupé, cooperativa com sede em Guaxupé apontada como a maior do mundo no café, recebe o grão majoritariamente em sacaria de 60 kg e big bags de aproximadamente 1.200 kg — carga típica de truck com baú sider ou carroceria lonada.

Cerrado Mineiro: colheita mecanizada e escoamento concentrado

Primeira região brasileira a conquistar Denominação de Origem para café, o Cerrado Mineiro (Patrocínio, Monte Carmelo, Araguari) tem colheita altamente mecanizada. Isso comprime o escoamento em poucas semanas e gera picos agudos de demanda por caminhão nos armazéns e na Expocaccer, em Patrocínio, principal ponto de recepção da região.

Por que o pico da colheita aquece o frete rodoviário

Depois de seco e beneficiado, o café precisa sair rapidamente da fazenda para armazéns gerais e cooperativas — e os lotes vendidos à exportação seguem para os terminais de Santos. No pico, o mesmo caminhão é disputado por três fluxos simultâneos: fazenda–armazém, armazém–cooperativa e cooperativa–porto. Quando o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica opera em alta, as vendas se aceleram e os embarques são antecipados, esticando ainda mais a demanda por veículo.

Rotas e regiões críticas do escoamento

BR-381 e BR-491: corredores do Sul de Minas até Varginha e Guaxupé

A BR-491 conecta Alfenas, Varginha e Guaxupé, enquanto a BR-381 (Fernão Dias) é a saída natural do Sul de Minas rumo a São Paulo. O primeiro trecho do frete, porém, costuma ser em estradas vicinais de terra entre a fazenda e o armazém — exige atenção com peso, lona e conservação do veículo.

BR-050 e BR-262: do Cerrado Mineiro (Patrocínio/Araguari) ao Porto de Santos

No Cerrado Mineiro, a BR-050 (Araguari–Uberlândia–Uberaba) e a BR-262 fazem a ligação com o interior paulista, de onde o café desce a Santos pelos eixos Anhanguera e Bandeirantes. O Porto de Santos historicamente concentra cerca de 80% dos embarques de café do país, segundo o Cecafé — a fila de descarga nos terminais santistas é parte da rotina de quem pega esse trecho.

Faixas de preço do frete na safra do café

Os valores variam por rota, tipo de acondicionamento e contrato — não há preço único. A referência de mercado por rota é o Sifreca, da ESALQ-LOG, que publica fretes praticados em praças como Varginha e Patrocínio com destino a Santos. O piso legal é a Tabela de Frete Mínimo da ANTT (Resolução nº 5.867/2020, com valores reajustados periodicamente): café ensacado se enquadra como carga geral e o grão em graneleiro, como granel sólido. Consulte a tabela de frete mínimo da ANTT em 2026 e os valores vigentes do frete mínimo antes de fechar viagem.

CargaImplemento típicoCapacidade aproximada
Sacaria de 60 kgBaú sider ou carga seca lonada (truck)~230 sacas (~14 t)
Big bag (~1.200 kg)Carreta graneleira~22 big bags (~27 t)
GranelBitrem graneleiroaté ~37 t nos conjuntos autorizados

Como o caminhoneiro pode se beneficiar da janela de alta demanda

Riscos: estradas vicinais, fila em armazém e sazonalidade curta

Três pontos pedem cautela. Primeiro, as vicinais de terra no primeiro trecho castigam suspensão e pneus. Segundo, filas de descarga em cooperativas e nos terminais de Santos consomem horas não remuneradas — agendamento é essencial. Terceiro, a janela é curta: a partir de setembro o volume cai e o frete spot recua. Há ainda a exigência de qualidade: café absorve umidade e odores, e baú sujo ou lona furada geram recusa de carga.

Perguntas frequentes

Quando termina o pico da colheita de café 2026?

O pico se concentra entre junho e agosto de 2026; o escoamento remanescente segue até setembro/outubro, já com demanda menor por caminhão.

Qual caminhão é mais usado no frete de café?

Truck com baú sider ou carroceria lonada para sacaria de 60 kg; carreta e bitrem graneleiro para big bags e grão a granel nos trechos até o porto.

Existe piso de frete para transportar café?

Sim. Vale a Tabela de Frete Mínimo da ANTT (Resolução nº 5.867/2020), nas categorias carga geral (ensacado) ou granel sólido (graneleiro), conforme o acondicionamento.

Onde consultar o valor do frete de café por rota?

No Sifreca (ESALQ-LOG), que publica fretes praticados por praça e destino, e nas mesas de frete das cooperativas e transportadoras da região.

Fontes: Conab — Acompanhamento da Safra Brasileira de Café; Cepea/Esalq-USP — Indicador do café arábica; Sifreca/ESALQ-LOG; ANTT — Resolução nº 5.867/2020. Faixas de frete variam por rota, contrato e época; confirme os valores vigentes na data da negociação.

Foto: Gabriel Santos via Unsplash

Fonte: conab.gov.br